Matemáticos amorosos/ Amorous mathematicians

Numa conversa entre Clarice Lispector e Tom Jobim, Clarice perguntou a Tom qualquer coisa do género se achava ele que o amor não era mais do que uma equação perfeita. Tom respondeu, fugindo de alguma forma à questão, que sempre fora “um matemático amoroso”.
A tricotar e a ver o documentário feito sobre a reposição de Kontakhof(Tanzträumer) de Pina Baush, ocorreu-me que o mundo está cheio de matemáticos amorosos, que poderão ou não acreditar que o amor é uma equação perfeita.

Tricotadeiras que contam as malhas de liga e meia nas suas cabeças, bailarinos que marcam o compasso das músicas pautadas pelos músicos, esses outros matemáticos amorosos.
Tudo são números, entoados mentalmente ou em surdina. Tudo por amor.
Não faço ideia se esta seria a intenção por detrás da resposta de Jobim, mas esta é a minha forma de juntar um mais um.

In a conversation between the Brazilian writer Clarice Lispector and the inventor of Bossa Nova Tom Jobim, Clarice asked Tom whether he thought love was no more than a perfect equation. Tom answered back, somehow avoiding the question, that he had always been “an amorous mathematician”.
Watching the documentary on Pina Bausch’s Kontakhof (Tanzträumer) while knitting it occured to me the world is full of amorous mathematicians, that might or might not believe that love is a perfect equation.
Knitters counting the knit and purl stitches in their heads, dancers following the bit of a music line, the musicians who play that very same music. All of them amorous mathematicians…
The world if full of numbers, silently counted in our heads or barely whispered. All for love.
I have no idea if this was what Jobim ment with his answer but this is how I always put the two and two together.

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Moodboards, how I love thee! Let me count the ways…

Penso que o termo moodboard esteja particularmente ligado ao mundo da moda e sirva para classificar o processo de brainstorming visual que antecede a definição e a produção de uma determinada coleção.

Sendo uma rapariga com uma vocação particularmente visual, apercebo-me que sempre construí moodboards e lamento profundamente ter deitado ao lixo os manuais escolares desatualizados em que nos idos anos 80 colei muitas imagens recortadas de jornais e revistas.

Antes dos 12 anos, quando ainda não era cool, estes repositórios estavam cheios de fotografias e artigos sobre bandas como os Duran, Duran, os Police ou as mais insignificantes saídas à rua da princesa Carolina do Mónaco! (Eu sei, eu sei, “atirem-me água benta!”, como diria o Reininho.) As coisas melhoraram um bocado a partir daí, graças aos amigos que ouviam Echo and the Bunnymen, aos namorados que deliravam com os Smiths e aos irmãos mais velhos que enchiam a casa de revistas como a Photo ou os Cahiers du Cinéma! (Muitos pontos acima, como se pode ver!)

Chega de conversa de mole!Moodboard1

Isto tudo para voltar à máquina de tricotar e a um projeto pessoal. Este: pôr na máquina o fio da Ovelha Negra, o Victoria, e criar uma camisola para mim que me leve de volta aos anos 40, de onde eu nunca devia ter saído.

Work in progress. Ou, para os amigos, WIP!

***

I assume the term moodboard is particularly connected to the fashion world and is used to classify the visual brainstorming process that precedes the definition and production of a particular clothing line.

Being the visual girl that I am, I realized that I have always built moodboards and I deeply regret throwing away the outdated school books I’ve used back in the 80s as a sticking board for images recovered from newspapers and magazines.

Before I was 12, when I still wasn’t cool, these collections were full of photos and cut outs about bands like Duran, Duran and Police and the most insignificant street ventures of Princess Caroline of Monaco! (I know, I know, “throw holly water on me”, like the Portuguese 80s star, Rui Reininho, would say.) Things improved a bit from then on, thanks to friends who listened to Echo and the Bunnymen, boyfriends who loved the Smiths and older brothers filling the house with magazines like Photo or Cahiers du Cinéma! (Many more points scored here, as you can see!)

Enough small talk!

All of this to go back to the knitting machine and a personal project. This one: use Ovelha Negra’s latest bet – the yarn Victoria – to produce a sweater that will take me back to the 1940s from where I should never have left.

Work in progress. Or, between you and me, WIP!

In a far, far away galaxy…

Há muitos anos atrás, um dos meus irmãos partiu lá para fora para lutar pela vida. Entre as aulas na Sorbonne e os empregos ocasionais como caixa de supermercado, começou a tricotar num tempo em que as revistas francesas (como a Elle) apresentavam sempre como rubrica semanal uma fiche tricot, editava-se uma revista chamada 100 Idées e toda a gente dava às agulhas. Desse tempo, herdei muitos novelos de lã que raramente chegavam para fazer peças completas, quando eu ainda só acreditava em fazer camisolas.

Back in 1977, my brother Mário emigrated to France after a brief passage through England that didn’t go so well. After enrolling at Sorbonne and having various unimportant jobs as supermarket cashier or other he started on a short lived career as a knitter. This was back in the days when French fashion magazines would have a knitting pattern page (like Elle did) and magazines like 100 Idées were everywhere. Mário is the reason why I knit because suddenly our house was full of sample skeins of yarn of different colours and fibers and I had to do something about it.