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Porquê uma máquina de tricotar?/Why a knitting machine?

Conta-se que nos idos anos 70, 80 e 90, antes que nos chegassem as malhas produzidas em quantidades industriais pelos operários asiáticos e sul-americanos, muitas mulheres portuguesas trabalhavam em casa nas suas máquinas de tricotar, produzindo uma enorme variedade de malhas para os mais diversos fins, mas alimentando muito particularmente uma indústria de moda que funcionava então razoavelmente apoiada nesse registo de indústria caseira. Com a exceção de algumas bolsas de atividade que se foram mantendo vivas, esta rede de operariado informal e caseiro extinguiu-se de uma forma quase brutal em finais dos anos 90 e as máquinas foram arrumadas em garagens ou em quartos de arrumos ou vendidas a quem as quisesse levar para oficinas ainda em funcionamento que em breve também veriam o seu trabalho condenado. Esgotada a novidade do pronto a vestir de baixo custo e de baixa qualidade, em tempos de crise em que se procura que aquilo que se compra traga garantias de qualidade, durabilidade e originalidade, as máquinas de tricotar oferecem novamente uma alternativa viável à produção massificada de …

In a far, far away galaxy…

Há muitos anos atrás, um dos meus irmãos partiu lá para fora para lutar pela vida. Entre as aulas na Sorbonne e os empregos ocasionais como caixa de supermercado, começou a tricotar num tempo em que as revistas francesas (como a Elle) apresentavam sempre como rubrica semanal uma fiche tricot, editava-se uma revista chamada 100 Idées e toda a gente dava às agulhas. Desse tempo, herdei muitos novelos de lã que raramente chegavam para fazer peças completas, quando eu ainda só acreditava em fazer camisolas. Back in 1977, my brother Mário emigrated to France after a brief passage through England that didn’t go so well. After enrolling at Sorbonne and having various unimportant jobs as supermarket cashier or other he started on a short lived career as a knitter. This was back in the days when French fashion magazines would have a knitting pattern page (like Elle did) and magazines like 100 Idées were everywhere. Mário is the reason why I knit because suddenly our house was full of sample skeins of yarn of different colours …